14 de abr. de 2021

O Protocolo de Auschwitz, um filme que nos questiona a humanidade

Eu poderia começar este texto falando sobre o filme se tratar da aventura inimaginável de dois homens numa fuga do campo de concentração e extermínio de Auschwitz para denunciarem todas as atrocidades vividas por lá. E esta seria apenas mais uma resenha sob a lente do óbvio.

O convite para assistir a este filme é o confronto com o inacreditável. Impossível imaginar que judeus eram obrigados a copular com vacas ou ao invés de água,  os chuveiros derramassem gás ou toda e qualquer banalização não da Morte, mas da Vida.



O absurdo era tamanho que se tornava inacreditável. Imaginar seres humanos submetidos a tais desumanizações talvez fosse mais fácil do que crer que tudo isso acontecia à luz do dia, na claridade do mundo.


E tal façanha só foi possível porque uma mentira contada diversas vezes se torna verdade. Muito antes das Fake News, a propaganda nazista já funcionava ocultando genocidios e projetos de extermínio. E o que é mais tenebroso é que esta realidade, ainda que em outro contexto e antagonista de outros povos, não está tão distante de nós.


Até que ponto é difícil de acreditar que atrocidades estão sendo cometidas? Até que momento negar a realidade nos faz cúmplices dos horrores de uma guerra, de uma pandemia? O que é preciso fazer ou acontecer para que o horror seja acreditado e impedido?


O Protocolo de Auschwitz nos questiona a humanidade.


- Baseado em uma história real, o filme indicado da Eslováquia para concorrer ao Oscar 2021 de melhor filme estrangeiro pode ser adquirido para aluguel e compra no NOWLookeVivo PlayGoogle PlayMicrosoftApple TV e Sky Play.



Título Original: The Auschwitz Report
Direção: Peter Bebjak
Roteiro: Peter Bebjak, Tomás Bombík, Jozef Pastéka
Baseado na obra de Alfred Wetzler (What Dante Did Not See)
Elenco: Noel Czuczor, Peter Ondrejicka, John Hannah, Wojciech Mecwaldowski, Jacek Beler, Michal Rezný, Kamil Nozynski, Christoph Bach
Distribuição: A2 Filmes





4 de abr. de 2021

A Colheita: este thriller de terror traz algumas surpresas, mas poucos sustos

Para mim, filmes de terror são uma espécie de “guilty pleasure”: eles não têm a obrigação de ter os melhores roteiros ou uma produção impecável. A única obrigação deles é me entreter e, se possível, também dar alguns sustos durante a jornada. Portanto, posso afirmar que logo de cara “A Colheita” trouxe algo que eu não esperava: o filme deixou-me intrigado bem no início, tentando entender qual o rumo que tudo aquilo tomaria.

A Colheita thriller de terror

Um começo sem cerimônias

Vou evitar aqui ser muito descritivo para não dar spoiler, mas a primeira cena dita bem o que o filme vai ser: um fato violento que ocorre em uma comunidade Amish, mas a violência aqui é mais insinuada do que

representada. Não conseguimos entender muito bem em que época a cena se passa, não entendemos a motivação da personagem para cometer tal ato

e há ali algum grande mistério que perturba a cabeça do jovem Jacob – mistério que vamos descobrindo conforme esta linha temporal alterna-se com outra.


A Colheita thriller de terror

O jovem Jacob, interpretado por Alex Yucarba.


Uma questão familiar completa o enredo de “A Colheita”


Logo em seguida, passamos para um casal com um conflito bem atual (e bem clichê): casamento em crise, na terapia, decidem desconectar-se do mundo em busca de reacender a chama do casamento e conectar-se mais profundamente com os seus filhos. E onde eles vão buscar este refúgio? Isso mesmo, em uma casa que fica em um terreno vizinho a esta comunidade Amish. Pronto, temos aí as duas tramas que se encontram e cuja tensão entre elas é a espinha dorsal da história.


Quando a família chega ao seu destino de verão, Jake e Dinah (os pais) e Steven e Michaela (os filhos) se deparam com estranhos vizinhos. Aqui a sacada do filme é boa: por estarem situados próximos a uma comunidade Amish, eles estão o tempo todo cercados de pessoas que parecem viver “no passado”, sendo assim ficamos em um constante questionamento sempre que aparece algum personagem: será que se trata de um fantasma? Claro que, em algumas cenas, esta distinção acaba por ser intencionalmente óbvia.


Dinah, Jake, Steven e Michaela.


Pontos positivos e negativos de “A Colheita”


A história do filme é intrigante, a ambientação é incrível mas, na minha opinião, ainda faltou alguma profundidade. Por vezes a trama toma rumos interessantes, que no final das contas não são muito bem explorados. Conseguimos perceber claramente a intenção de um gênero que busca se reinventar, mas que ainda não encontrou um rumo. O seu ponto positivo acaba por também ser o seu ponto negativo: a sua temática não fica apenas mortes, fantasmas, bem e mal. É uma história sobre o perdão, sobre não deixar os nossos piores pensamentos tomarem conta. 


Outra virtude de “A Colheita” que também se apresenta como defeito é a ausência de sustos. O filme não apela aos irritantes e repetitivos recursos baratos que temos visto nos últimos anos, mas também não nos faz pular do sofá em nenhum momento.


A Colheita thriller de terror


Avaliação final


Posso dizer que é uma trama capaz de prender a nossa atenção por 90% do tempo, sem precisar apelar demasiadamente para sangue e cenas insanas de ação. Enquanto longa-metragem de apresentação do diretor (Ivan Kraljevic) é interessante, com momentos bem gostosos de ver, como uma câmera a percorrer em sequência todos os cômodos da casa. Já os 10% finais acabam por perder um pouco ritmo, trazer algumas obviedades e metáforas bíblicas por vezes muito explícitas.


A Colheita thriller de terror

Em resumo, “A Colheita” é um filme bem dirigido e produzido, que consegue prender a sua atenção durante a maior parte do tempo, utilizando não só o sobrenatural mas como também os conflitos pessoais das personagens para criar tensão. Uma boa diversão para quem não espera um roteiro muito inteligente, e sem perigo de engasgar com a pipoca. 


O filme pode ser adquirido para aluguel e compra no NOWLookeVivo PlayGoogle PlayMicrosoft e iTunes




Título Original: The Harvesting
Direção: Ivan Kraljevic
Roteiro: Ben Everhart
Elenco: Elena Nikitina Bick, Chris Conner, Jennifer Gareis, Greg Wood, Noah Headley, Accalia Quintana, Alex Yurcaba, Jack Buckley
Distribuição: A2 Filmes





22 de mar. de 2021

8 museus brasileiros para visitar de forma online na quarentena



O período de isolamento e distanciamento social como medidas preventivas à Covid-19 completou um ano. Séries foram maratonadas, listas de filmes concluídas, alguns livros finalizados e muito tempo também já foi gasto nas redes sociais. Mas se tudo isso já está se tornando um pouco cansativo, chegou a hora de fazer tours e conhecer lugares diferentes sem sair de casa para matar as saudades dos passeios.

Para isso, a ClickBus, plataforma de venda online de passagens rodoviárias, nos deu uma ajudinha e listou 8 museus brasileiros online para visitar de forma online na quarentenaConfira a lista:


PINACOTECA (SÃO PAULO)
Além de ser muito popular em São Paulo, a Pinacoteca é um dos museus virtuais do Brasil que oferece visita online gratuita, cuja visualização, feita a partir do movimento do mouse, é bastante ampla. Outro ponto de destaque é o fato de apresentar áudios que trazem reflexões sobre as obras. Acesse a visita virtual pelo link: https://www.iteleport.com.br/tour3d/pinacoteca-de-sp-acervo-permanente/ e confira o vasto acervo de Arte Contemporânea.

MASP (SÃO PAULO)
Da arte na moda até a arte da Itália e da França, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) também é uma excelente opção de passeio virtual. No entanto, diferentemente do modelo da Pinacoteca, suas obras são apresentadas em imagens - que são esmiuçadas por "zoom" - juntamente com textos explicativos, bem como históricos.
Faça agora mesmo essa imersão pelo link: https://artsandculture.google.com/partner/masp.

MUSEU AFRO BRASIL (SÃO PAULO)
Com um acervo que contempla mais de seis mil peças, entre as mais diversas obras de arte, como: pinturas, esculturas e fotografias, criados por artistas brasileiros e do exterior, bem como documentos. São artefatos que datam do século 18 até os dias de hoje, abordando os mais variados aspectos da cultura africana e afro-brasileira.
Enquanto ainda a recomendação é ficar em casa e evitar aglomerações, faça esse passeio virtual: https://artsandculture.google.com/partner/museu-afro-brasil.

INHOTIM (MINAS GERAIS)
Mais uma agradável opção na lista de museus e galeria de arte para visitar online e matar um pouquinho da vontade de viajar, assim como estar rodeado de beleza e história, é o Inhotim! Esse tour virtual será perfeito para quem está com aquela vontade de voltar a se conectar com a natureza, mesmo que seja por meio da tela. Afinal, Inhotim combina o paisagismo de um amplo e vivo jardim botânico ao potencial reflexivo de artes contemporâneas. Acesse: https://www.inhotim.org.br/visite/tour-virtual/.

MUSEU DO AMANHÃ (RIO DE JANEIRO)
Interatividade, esse é um dos grandes diferenciais do Museu do Amanhã, que tem como propósito fazer o visitante refletir sobre o nosso compromisso com o amanhã em diferentes âmbitos: meio ambiente, social e muito mais, tudo isso por meio das ciências aplicadas.
Veja um pouquinho desse lugar fenomenal, acessando: https://museudoamanha.org.br/pt-br/content/tour-virtual.

MUSEU DA IMAGEM E DO SOM - MIS (SÃO PAULO)
Um dos museus mais tradicionais do país, o MIS é também mais um museu virtual no Brasil! Entre suas exposições que podem ser apreciadas virtualmente estão: A trajetória da produção cinematográfica na cidade de São Paulo nas décadas de 70 e 80; O retrato da profissão dos fotógrafos de rua, mais conhecidos como lambe-lambe; Os registros de deslocamentos presentes em profissões itinerantes e mais. Faça essa rica visita virtual pelo link: https://www.mis-sp.org.br/exposicoes/list/virtual.

MUSEU OSCAR NIEMEYER (PARANÁ)
Com um número de obras que gira em torno de sete mil, o MON, como foi apelidado, tem desde a sua estrutura criada por um grande nome: ninguém menos do que o arquiteto Oscar Niemeyer, que dá o nome a esse museu. São formas e cores que se misturam, fazendo com que esse lugar seja referência nos campos das artes visuais, design e arquitetura.
Tenha uma amostra do que é o MON em um passeio virtual: https://www.museuoscarniemeyer.org.br/visite/visita-virtual-3D.

MUSEU DO FUTEBOL (SÃO PAULO)
As exposições virtuais do Museu do Futebol são simplesmente incríveis, mesmo por meio da tela! E para notar isso, basta conferir alguns títulos: Visibilidade para o futebol feminino, Chuteiras: a evolução do futebol nas pontas dos pés, Pacaembu - o estúdio monumento e outros 14 compõem o site.
E vamos combinar que com essas apresentações dá até para sentir a bola rolando no gramado e a energia da torcida no campo! Que vibração, meus amigos, que vibração.
Acesse e conheça mais sobre o nosso amado futebol em: https://artsandculture.google.com/partner/museu-do-futebol


Fonte: Assessoria ClickBus

18 de fev. de 2021

Berlin Alexanderplatz: A Morte e vida de Francis

Berlin Alexanderplatz

Quando Francis aparece na tela, ele afunda nas águas e sussurros emanam como prece para narrar seu renascimento. Eis o seu batismo, como aquele no rio em que o velho homem submerge para que o novo inicie uma trajetória cheia  de possibilidades, renegando um passado para que o futuro seja feito de sua nova história. 


Renascendo em Berlin, o único desejo de Francis é ser bom. Mas como consegui-lo em um mundo que insiste em ser mau? O seu primeiro obstáculo está posto e é magistralmente orquestrado por Reinhold que personifica todas as tentações e pecados que o sonho alemão representando o céu impõe para os anjos caídos em seu seio. 


Dividido em cinco partes, Berlin Alexanderplatz é um ensaio de humanidade e do mundo. O diretor e roteirista Burhan Qurbani nos conduz a um indigesto espelho de nós mesmos e da sociedade que criamos baseada na força, no poder, na subjugação das nossas relações e dos lugares em que insistimos manter para sobrevivermos.


Em três horas de filme, morremos e renascemos com Francis. Desejamos que ele acorde para a desumanização que cremos que ele não saiba que sobrevive. E nos questionamos sobre quem é o Vilão, quem é o mocinho, quem é o certo ou o errado. Seria possível encontrar bondade e Amor num contexto de crime? E talvez chegamos à conclusão de que a vida não é dicotômica e entre os extremos existe um  mar de nuances que nos colocam em diversos papéis. E é nestas águas que Francis navega.


Berlin Alexanderplatz



Baseado na obra de Alfred Döblin, o filme dialoga conosco sobre ser refugiado num contexto geográfico e de Alma descortinando também  o véu daquilo que consideramos Paraíso. Uma Alemanha subterrânea emerge de sua crueldade expondo suas contradições sociais, a desumanização daqueles que buscam novas oportunidades e o oportunismo dos que usam desta vulnerabilidade sistemática para sugarem estas vidas jogando com suas sobrevivências. 


Eu poderia dizer que em muitos momentos Francis é a personificação de nossa luta universal humana, mas não seria de todo verdade. O fato de Francis ser refugiado e negro o coloca em situações em que muitos de nós não somos diretamente atraveassados. E ser quem é faz com que sua jornada seja invariavelmente mais difícil do que as nossas seriam. E neste ponto o filme é implacável e didático em nos mostrar como o racismo estrutural e as relações capitalistas se mantém e baseiam o mundo.


Um sucesso na 44a Mostra Internacional de Cinema, o filme Berlin Alexanderplatz, ainda que num contexto de particularidades históricas alemãs, é um espelho do mundo, e estreia hoje nos cinemas brasileiros.








10 de fev. de 2021

Praias incríveis em Garopaba que você precisa conhecer

Quem aqui já foi para Garopaba? Já foi ou ouviu falar da Praia do Rosa? O que acharam? Nós temos alguns amigos que moram lá e sempre que posso procuro ir lá visitá-los e também curtir o verão, amo o clima de fazenda misturado com praia que Garopaba tem.

Nesse vídeo mostro algumas praias incríveis em Garopaba que você precisa conhecer, espero que gostem :)


Praias incríveis em Garopaba que você precisa conhecer

Praias incríveis em Garopaba que você precisa conhecer

Praias incríveis em Garopaba que você precisa conhecer

Praias incríveis em Garopaba que você precisa conhecer

Praias incríveis em Garopaba que você precisa conhecer

Praias incríveis em Garopaba que você precisa conhecer






10 de dez. de 2020

Quando Hitler roubou o coelho cor-de-rosa

 

Quando Hitler roubou o coelho cor-de-rosa

SINOPSE: No drama familiar "Quando Hitler roubou o coelho cor-de-rosa", sensível e emocionante, uma garota judia-alemã dá seus primeiros passos na vida adulta, à medida que os eventos mundiais se intrometem em sua rotina feliz e despreocupada. Aos 9 anos, Anna está muito ocupada com os trabalhos escolares e com os amigos para notar o rosto de Hitler nos cartazes estampados na Berlim de 1933. Quando seu pai desaparece e a família sai secretamente da Alemanha, a menina começa a entender que a vida nunca mais será a mesma. O que se segue é uma aventura corajosa, cheia de medo e incerteza. O filme é uma adaptação do romance infantil semiautobiográfico de Judith Kerr (1923-2019). A direção é da cineasta Caroline Link, vencedora do Oscar.

OPINIÃO: como todos sabem, o nazismo foi um movimento político, liderado por Adolf Hitlercaracterizado pelo racismo, o antissemitismo e a eugenia, e é no ápice desse movimento que o filme, baseado em fatos reais, ocorre. Anna, uma garotinha de 9 anos, é a protagonista do filme e faz o papel da escritora Judith Kerr (que faleceu ano passado) que escreveu o livro em que o filme se baseia. É através do olhar inocente de uma criança que os temas fortes que giram em torno do nazismo são abordados. Para nós que conhecemos a história chega a dar um aperto no coração ao ver como Anna sofre ao se despedir de seus brinquedos quando precisa deixar sua casa às pressas, afinal ela nem imagina o que virá a seguir. 

Quando Hitler roubou o coelho cor-de-rosa


Anna e sua família possuíam uma vida privilegiada na Alemanha, viviam numa casa grande, com empregados, muitos brinquedos, roupas, frequentando ótimas escolas e eventos sociais e mesmo diante de tudo isso os desenhos de Anna eram sempre retratando desastres, parecia que a garotinha estava adivinhando o que seu país e seu povo enfrentariam em breve. E após tantas mudanças em sua vida, no final do filme os desenhos de Anna se transformam e nos passam uma mensagem de esperança. 

Quando Hitler roubou o coelho cor-de-rosa


Saber se adequar às mudanças da vida é para mim um dos temas centrais do filme. Uma criança que não possui mais seus brinquedos, amigos e babá por perto e precisa aprender a fazer novas amizades em países e idiomas diferentes, um adolescente habituado ao bom e do melhor tendo que jantar sopa de batata todos os dias, um escritor de renome tendo que se esconder da dona de seu apartamento por não ter dinheiro para pagar o aluguel, e por fim, uma pianista que troca o glamour dos teatros pela panelas quase sempre vazias que precisa preencher com pouco dinheiro. Em alguns momentos são os pais que ensinam os filhos como se adaptar à nova vida, e em outros são as crianças que ensinam os pais.





Título Original:  Als Hitler Das Rosa Kaninchen Stahl
Direção: Caroline Link
Roteiro: Caroline Link, Anna Brüggemann
Baseado no romance de Judith Kerr
Elenco: Carla Juri, Jusutus von Donahnyi, Oliver Masucci, Ursula Werner
Distribuição: A2 Filmes

Hoje, 10 de dezembro, nos cinemas.




18 de ago. de 2020

8 castelos imperdíveis para conhecer na região do Alentejo, em Portugal

O Alentejo, maior região de Portugal, é famoso por seus vinhos, belas paisagens naturais com campos verdejantes e extensos vinhedos, e por seus vilarejos encantadores, que mais parecem saídos de contos de fadas. Além disso, por todo o território alentejano é possível encontrar construções cheias de histórias para contar. Há igrejas antigas, conventos centenários, castelos medievais e muito mais. Eu não vejo a hora de organizar uma viagem para lá, mas enquanto isso não acontece já deixo aqui algumas dicas do que ando descobrindo daquela área.

Se você como eu, ama visitar castelos, saiba que no Alentejo é possível fazer um roteiro focado nisso! Confira abaixo uma lista com oito castelos imperdíveis!

8 castelos imperdíveis para conhecer na região do Alentejo, em Portugal

Arraiolos

Este é um dos poucos castelos no mundo com uma arquitetura circular e, por isso, vale muito a pena conhecer. Situado a apenas 20 minutos de Évora, principal destino alentejano, fica no topo do Monte de São Pedro, rodeado por uma muralha em forma de elipse. Além de visitar o castelo, é possível apreciar uma bela visão de 360º dos campos alentejanos.

Beja
Localizado mais ao sul da região, seu destaque é a torre que conta com 40 metros de altura. Mais que o tamanho e a imponência, no entanto, essa parte do castelo tem também uma beleza ímpar. O viajante pode subir seus 200 degraus para conferir uma vista de tirar o fôlego. A torre é composta por três salas, que contam com elementos de inspiração muçulmana, romana medieval e manuelina.

Elvas
Este castelo é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO juntamente às demais construções históricas de Elvas. Ele é um dos melhores exemplares da arquitetura militar portuguesa. A própria cidade foi desenvolvida como uma verdadeira fortaleza, devido à sua proximidade com a Espanha. Além do castelo, os turistas podem explorar diversos fortes e fortins da cidade.

Estremoz
Atualmente, no Castelo de Estremoz, funciona uma pousada. Mas ainda é possível conhecê-lo. Seu destaque é a espetacular Torre das Três Coroas, com 27 metros de altura e feita de mármore branco. Ao lado do castelo fica uma estátua em homenagem à Rainha Santa Isabel, conhecida pelo milagre de haver transformado moedas em rosas no século 14.

Evoramonte
Para quem gosta de construções diferentes, o Castelo de Evoramonte é perfeito. Formado por quatro torreões arredondados, ele conta com três pisos nobres no estilo do Renascimento Italiano, e suas salas monumentais têm abóbadas góticas impressionantes.

Marvão
A poucos quilômetros de Castelo de Vide, o Castelo de Marvão fica no ponto mais alto da Serra de São Mamede, a 843 metros de altitude, esbanjando uma vista e tanto. Do topo de sua torre, em um dia claro, é possível ver até mesmo a Espanha! Ele também impressiona por seu excelente estado de conservação e extensas muralhas.

Monsaraz
Este é um dos típicos vilarejos cheios de charme do Alentejo e seu castelo tornou-se um ponto turístico bastante popular na região. Isso porque, ao subir na construção, o visitante pode ver o grandioso Alqueva, que nada mais é que o maior lago artificial da Europa. Ao pôr do sol, a paisagem fica ainda mais impressionante.

Montemor-o-Novo
Esta vila conta com um fascinante castelo que foi construído sobre as ruínas de uma fortificação muçulmana. Embora seu estado atual não se compare à sua antiga glória, sua importância histórica permanece: ele sobreviveu ao terremoto de 1755 e às invasões francesas, além de ser palco dos últimos preparativos para a travessia marítima de Vasco da Gama para a Índia. 

Para mais informações sobre o Alentejo visite www.turismodoalentejo.com.br



10 de jul. de 2020

Teu saber tem quantos dialetos?


"Seu conhecimento acadêmico chega na periferia?"








Com a foto desta frase pichada no muro, minha bolha acadêmica das Ciências Sociais pirava em debates no mural do Facebook. Por um tempo não me meti na discussão, pois como educadora e cientista social, me faço esta pergunta sempre. Porque é necessário sempre fazê-la
Teve gente que militava consciente no lugar de fala que possui. Outros se perdiam no discurso querendo assumir posturas que não lhes pertencem num movimento de cosplay periférico. E haviam aqueles que juraram com punho em riste que levar saberes acadêmicos para as periferias não seria de muita valia visto que muitos termos seriam incompreendidos. Sério isso, brother? Mas que língua você fala?

Com este espaço de fala que possuo e que, nos últimos posts foi lindamente ocupado por potentes existências de nossos tempos, decidi aqui trazer o que penso disso. E estas reflexões só foram possíveis a partir de algumas vivências que tive. Mais do que isso: De alguns muitos encontros que me permiti e a mim foram permitidos.

Em primeiro lugar, gostaria de trazer a questão do acadêmico colonizador. Diante da possibilidade do acesso aos estudos, é muito fácil cairmos neste lugar de missionários do Saber. Pode ser por boas intenções, por ego ou pelo preciosismo de nos demarcarmos neste lugar entendendo que aquilo que os livros nos deram é o único saber possível e verdadeiro. Agindo assim, estamos mesmo neste movimento de troca que a educação nos permite e nos nutre?

Para além disso, pensarmos que este saber que carregamos não seria assimilado por outros centros de protagonismo é fazermos um pensar de mundo muito fechado, nos trancando nele e em tudo aquilo que combatemos. Não só devemos combater a concentração de riquezas, mas também a de saberes. Se não nos dispusermos a pensarmos como nos comunicarmos com toda a ferramenta que possuímos e como nos abrir para entender que o Saber se encontra de várias formas e em muitas culturas, não estamos fazendo nada além de girarmos a roda da manutenção de uma engrenagem que combatemos.

Se compreendermos que o saber é centrado a partir de cexistências múltiplas, entenderemos que ele pode ser produzido de muitas formas e por muitos povos. Assim, o centro deixa de ser visto como único e exclusivamente a Academia e passa a fazer parte de uma ciranda de conhecimento  personificado numa anciã indígena que carrega a história oral de seu povo, nas produções das quebradas que multiplicam as vozes das juventudes e seus protagonismos, nas terras quilombolas e seus ciclos de resistir. Nesta extensa compreensão da produção e existências, periferia é o centro e periféricos são aqueles que se limitam a tapar os ouvidos para esta sinfonia de códigos e línguas faladas dentro dos saberes.

Eu queria ilustrar este post com duas dicas que aquecem meu coração de educadora: Audino Vilão e os Funkeiros Cults. 

Audino é a identidade de Marcelo Marques, estudante de História que reside em Paulínia. Seu sonho é ser professor. Foi com ele que pela primeira vez Nietzsche foi condecorado com o título de Roba Brisa e o Mito da Caverna de Platão chegou nos becos e vielas. Seu canal do Youtube traz obras clássicas narradas pelo olhar das quebradas. Uma forma linda de se dizer que é possível compreender muitos dos pensares que mudaram o mundo a partir da comunicação respeitosa sobre a vida, as emoções e a realidade perfeitamente compreendida pela galera.

Audino Vilão: O Mito da Caverna para Becos e Vielas






Os Funkeiros Cults é uma página em que a galera busca obras clássicas, faz uma foto de oclinho escuro e posta com uma legenda sobre o que entendeu do texto. Conheci pela postagem sobre "A metamorfose" de Kafka e aí não parei de seguir. Dos posts nasceu um grupo no Facebook que, para além de incentivar as leituras que viram memes, grupos de professores fazem parte ajudando a população na mediação de leituras, dicas para vestibular e discussões sobre a realidade. Para participar do grupo, é necessário deixar suas intenções. A primeira postagem é sobre Cêis tão ligado que funkeiro não é fantasia, né?




As duas iniciativas a mim dizem muito e me ensinam também. Primeiro que mostra a potência das juventudes e das quebradas. Depois, nos ensina como socializar os saberes, como fazer uso de ferramentas que são capazes de serem atrativas para assuntos que parecem ou são feitos para serem inalcançáveis e exclusivos. Para além desta gama de clássicos, esta galera tem trazido à debate muito além. Silvio Almeida (meu Silvinho do Coração) teve uma de suas obras debatidas e homenageadas. Em sua participação no programa Roda Viva, ele confirma o poder de iniciativas como estas mostrando o seu alcance em tornar acessível estes conteúdos.

O caminho inverso também é de muita importância. Olhar com respeito e valor as produções musicais, audiovisuais e tantas outras que narram as histórias vividas nas florestas ou nas vielas não só é necessário como enriquecedor. Temos o dever e o exercício de não deixarmos que um tempo ou um povo seja exaltado por uma História única.

Obrigada, Audino. Valeu Funkeiros.



23 de jun. de 2020

Potências Negras por Bárbara Lima

Olá, sou Bárbara Lima, formada atriz, estudante de pedagogia e pesquisadora pelo centro de estudos periféricos - CEP, da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP. Fui convidada pela Nathalia Triveloni a falar um pouco sobre as minhas referências enquanto pessoa preta. Achei que a melhor maneira de começar é indicando materiais que nos façam refletir em como o racismo pode aparecer das formas mais veladas possíveis e o quanto é importante falarmos sobre o que pessoas negras fizeram ou fazem para combater toda essa estrutura racista.


como ser antirracista


Carolina Maria de Jesus – Diário de Bitita


Essa obra de Carolina é inspiradora para mim. Relata fatos de sua vida que ocorreram logo após a falsa abolição no Brasil, mostrando como o processo de genocídio preto se perpetua. Cita o racismo presente desde a violência policial em comunidades negras à pretos não poderem frequentar escolas. Além da obra ser um escudo para toda pessoa preta que resiste ao racismo cotidiano, o livro esclarece que a escravidão ainda continua presente, de outras formas ou igual. Carolina é atemporal e retrata nessa obra, como podemos resistir a essas mazelas e para pessoas brancas entenderem como o racismo está presente no dia a dia de qualquer preto, em absolutamente todas as esferas da vida humana. O mais interessante é a história ser narrada pela Carolina criança, onde era chamada carinhosamente de Bitita.



Carolina Maria de Jesus – Diário de Bitita


Baco exu do blues – Blvesman – Filme Completo


O curta-metragem blvesman, se inicia com um rapaz negro jovem correndo. Ao mesmo tempo que se passam cenas de vários momentos de sua vida. Para o senso comum da branquitude a impressão é que a qualquer momento ele vai levar um tiro, está sendo perseguido, ou algo parecido. Pois Baco dá um tapa na cara do espectador ao final, quando o rapaz só está atrasado para uma aula de música clássica. Na realidade, existem outros significados envolvendo o candomblé, religião de matriz africana seguida por Baco, mas essa reflexão deixamos para um outro momento.


O  clipe “Bluesman”, de Baco Exu do Blues levou o Grand Prix na categoria Entertainment for Music do Cannes Lions 2019. O GP é a premiação máxima do Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, um dos eventos mais relevantes do mercado publicitário no mundo. 





Jarid Arraes – Heroínas Negras Brasileiras: em 15 cordéis


O livro reúne 15 cordéis que narram a vida de mulheres negras que fizeram história para a população preta na história do Brasil, são essas: Antonieta de Barros, Aqualtune, Carolina Maria de Jesus, Dandara dos Palmares, Esperança Garcia, Eva Maria do Bonsucesso, Laudelina de Campos, Luísa Mahin, Maria Felipa, Maria Firmina dos Reis, Mariana Crioula, Na Agontimé, Tereza de Benguela, Tia Ciata e Zacimba Gaba. A obra é essencial para conhecermos grandes potências pretas que deveriam estar nos livros da escola. 



Jarid Arraes – Heroínas Negras Brasileiras: em 15 cordéis.


Djonga – Hoje não



Esse videoclipe do Djonga, vulgo Gustavo Pereira, faz referência ao acontecimento da morte da criança Agatha Félix de 8 anos, no complexo do Alemão no Rio de Janeiro em setembro de 2019, mas a narrativa final no clipe é invertida e quem ‘’morre’’ são arquétipos de um político, um policial e um burguês. Os arquétipos dos policiais sem rosto trazem uma licença poética nos fazendo refletir que mesmo eles sendo negros, ainda não tem uma visão de que, compactuando com esse genocídio, estão também apagando a si próprios. Além da letra trazer várias referências de crianças negras mortas, assim como Agatha, também deixa explícito que o problema do racismo e genocídio preto não é apenas de um indivíduo branco e sim de todos eles



Finalizo essa reflexão com um meme da página @escurecendofatos, que nos mostram que para ser antirracista ainda existem alguns degraus que a branquitude está querendo pular, ou seja, é um caminho muito longo pela frente, onde mesmo quando alcançarem esse lugar de antirracismo, ainda existem outros degraus para subir. 


como ser antirracista


   Post by Bárbara Lima