21 de dez de 2013

A terra do sol nascente

Uma das coisas que aprendi assim que vim morar na França é que ter férias é um direito respeitadíssimo por todos. Então, todo mês de agosto o país fica deserto. Lojas fecham, restaurantes não abrem, nem a padaria funciona : estão todos de férias ! É claro que as partes mais turísticas continuam funcionando, mas quem mora aqui sabe que é um mês morto.

Eu tive que entrar na dança, até poque no meu trabalho eu nem tenho a opção de escolher quando sair de folga, ou é em agosto ou é em agosto. Por isso, sempre deixo para fazer grandes viagens nessa época e coloquei na cabeça que 2013 seria o ano do Japão.



Comecei os preparativos seis meses antes da viagem. O Japão exige visto, e para tirar o visto você já tem que ter a reserva do hotel, a passagem comprada, o roteiro pronto com os dias que  ficará em cada cidade, etc. Ou seja,  tudo resolvido e comprovado, pois eles querem saber de cada passo seu. É burocrático, mas simples, basta ter todos os documentos que conseguirá sem problemas.

O projeto da viagem foi trabalhoso, pois fiz tudo sozinha e estava indo pro Japão, né? Nenhum site em inglês, poucas informações na internet, dificuldade de conseguir uma dica de restaurante (como anotar o nome da rua e depois conseguir achá-la?), mas fiz tudo com muita vontade de estar lá.

Decidi comprar um passe de trem que só vende fora do Japão, o JR Rail Pass. Comprei o passe de 7 dias e concentrei minhas viagens de trem nessa semana. Vale a pena, pois ele foi mais barato do que ida-volta Tokyo-Kyoto, e eu ainda fui à Nara e ao Monte Fuji.

Foram quinze dias nipônicos : Kyoto, Nara, Monte Fuji e Tokyo


Decidi começar por Kyoto, achei que me adaptaria melhor em uma cidade menor e mais calma, e que depois estaria safa para enfrentar Tokyo. Acho que foi uma boa decisão e aconselho fazer desse jeito. O único problema foi que acabei me apaixonando por Kyoto e ficava pensando o tempo todo que poderia ter ficado mais tempo lá e menos tempo em Tokyo.

Desde o primeiro dia fiquei encantada com a praticidade dos japoneses, tudo é simples, fácil e direto. Andei de trem, peguei ônibus e viajei dentro do país sem nenhum problema. Confesso que estava com um pouco de medo, pois na quando estive na Rússia tudo era complicado e ninguém fazia questão de te entender...já no Japão...ai o Japão com sua cultura linda, seu senso de hospitalidade incrível, com a doçura das pessoas. Todo mundo sorri, todo mundo faz reverência quando sente que você quer dar oi, todo mundo se esforça pra te ajudar!

De uma maneira geral eles não falam inglês, mas não precisa entrar em pânico, eles dão um jeito de te entender, com muita paciência e simpatia. Fazia amigos na rua como se eu morasse lá, eu falava qualquer língua que me dava na telha (inglês, português) e eles respondiam em japonês e eu juro que nos entendíamos! 

Vi lugares lindos. Todos os templos em Kyoto, os cervos em Nara, o Fuji-San, milhões de panéis luminosos em Tokyo, uma multitude de experiências. Fora que tive as melhores refeições da minha vida: guioza, tempura, soba, yakitori e é claro sashimi.


É uma mistura louca entre o tradicional e o moderno. Quando estamos dentro dos templos esquecemos tudo. Os jardins, as imagens de Buda, o silêncio...é só passar o portal para nos darmos conta de que o Japão ainda é o país da tecnologia, das luzes, das máquinas. Isso é fantástico! Dá pra passar uma tarde inteira meditando numa paisagem bucólica e à noite entrar numa loja inteiramente dedicada à Hello Kitty.

Não queria ir embora e jurei que voltaria. Digo e repito: foi a melhor viagem da minha vida! 
Ir para o Japão é realmente uma experiência completa, um dia eu meditei com um monge dentro de um templo lindo, no outro em estava de frente para o vulcão mais famoso do mundo, participei de uma cerimonia do chá, conheci uma cidade povoada de cervos que andam soltos pelas ruas, depois fui comer o sashimi mais fresco do mundo às 8 do manhã no mercado do peixe, bebi a água sagrada no Kiyomizu-Dera ...tudo isso admirando a filosofia de vida e o respeito que os japoneses têm por tudo. 

Fui embora querendo ser japonesa, mas como não sou, só posso me contentar em visitar esse país incrível, de preferência várias vezes. 

Dicas preciosas :

- Não vá no verão ! É insuportável, pior do que no Brasil, de verdade!
- Verifique as regras de etiqueta deles: não pode beijar em público, não pode beber andando na rua, não pode dar o dinheiro na mão da pessoa, nem dar gorjeta.
- Aprenda algumas palavras do meio culinário, pois as vezes eles comem umas coisas estranhas como bochecha de porco ou cartilagem de galinha.
- O Japão é barato! Sim, isso mesmo. Imagino que a passagem seja cara (fui de milhas e meu trajeto começou em Paris) e o hotel é caro também, mas todo o resto é mais barato que a Europa (comida, presente, roupa, etc). 
- Não deixe de fazer essa viagem por causa de dinheiro ou pela distância. Vale cada centavo e garanto que voltará de lá muito mais rico!





3 comentários:

  1. A melhor viagem de férias????? Mudou de ideia????

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  2. Deve ter sido uma viagem realmente única!!!
    Amei as fotos e estou curiosa para saber mais detalhes

    Bjs
    Pri

    http://www.styledchicas.blogspot.com.br

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  3. Que sonho de viagem Priscila! Quero muito conhecer o Japão um dia!

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